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domingo, 6 de março de 2011

Cândida, de Bernard Shaw

Por ser uma peça diferenciada, tanto nos diálogos  como no único cenário apresentado, ao invés de fazer só a resenha e crítica de CÂNDIDA  achei merecida a idéia de colocar dados biográficos do autor, no final..
Realizada pelo Núcleo Experimental/Cooperativa Paulista de  Teatro, tem como atores preincipais: Bia Seidl, Sergio Mastropasqua,Thiago Carreira, com tradução e direção de Zé Henrique de Paula.
Um pastor anglicano com tendências socialistas,  faz suas preleções de forma a ganhar o prestígio e a admiração  da sua comunidade. Casado com Cândida, uma bela mulher, ele é surpreendido pela aparição de um jóvem poeta, tímido, que está apaixonado por sua esposa. Entre eles há um duelo de palavras e convicções, que abala a relação do casal.
Um enredo simples, se não  fosse escrito por  Bernard Shaw. Um cenário mórbido , sem atrativos   e, inicialmnte, uma apresentação cansativa, se não tivesse a marca do autor, que pede que assim seja . O desenrolar da trama, com diálogos profundos e inteligentes, as boas interpretações dos atores e um desfecho inesperado, saímos do teatro com a sensação de termos assistido  um ótimo espetáculo.
Recomento!!!

Bernard  Shaw (1856-1950) nasceu em Dublin, na Irlanda,.  Aos vinte anos mudou-se para Londres e tentou a sorte como romancista. Escreveu diversos panfletos para um grupo socialista e se tornou um importante orador, mas seus romances eram todos recusados pelas editoras da época..
Conseguiu emprego como crítico de teatro e música em periódicos londrinos. Logo, seu  estilo inteligente e cheio de sagacidade o levaria a ser considerado uma das figuras mais interessantes da época. Como um apaixonado defensor do  novo teatro de Ibsen, escreveu um ensaio sobre o autor, e decidiu redigir suas próprias peças.
Suas obras, porém , levaram tempo para ganhar os principais palcos da capital inglesa.
O primeiro sucesso ocorreu em 1898, em Nova Iorque, título " O Discipulo do Diabo".
Suas peças vinham sempre acompanhadas de uma descrição detalhada dos personagens e dos jogos de cena, além de prefácios explicativos que, em muitos casos, acabavam  sendo mais longos que o texto em si. Destacam-se: A  Profissão da Senhora Warren, Cândida, César e Cleópatra, Homen  e Super Homen, Major Bárbara, Pigmaleão, que se tornaria ainda mais famosa ao ser transformada no musical de sucesso My Fair Lady
Escreveu, ainda, diversos ensaios.
Em 1926  ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.
O racionalismo radical de Shaw, seu profundo desdém pelas convenções e suas falas cheias de sagacidade e perspicácia colocam seus prsonagens em apaixonantes batalhas de idéias, atacando a hipocrisia da sociedade  vitoriana, e fazem com que sua obra se mantenha viva e pulsante.

marisa martire

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