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terça-feira, 15 de março de 2011

DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA

O texto de Reginald Rose, foi  criado, originalmente, como série de TV, e, três anos depois, transportado para o cinema por Henry Fonda, que produziu e atuou no filme.
Em 1963, estreou no teatro, com extraordinário sucesso.  Desde então vem inspirando vários artistas da dramaturgia, em diferente lugares do mundo
Reunem-se, em uma sala, doze jurados, que devem chegar a um consenso  sobre a culpabilidade,ou não ,de um jóvem de 16 anos , acusado de ter assassinado o  pai.  Se ele for culpado será condenado  à pena de morte.
Um parêntesis : - o direito processual criminal norte-americano é difente do nosso,  nele  os jurados trocam opiniões entre si para apresentar ao juiz o veredíto final. Assim a votação  precisa  ser unânime.
O juiz só convoca o juri se houver elementos de provas que justifiquem a reunião.
 Neste caso,  havia a prova do vizinho idoso e da vizinha do outro lado da rua, ambos acusando o menino de assassinato.
Parecia um caso fácil para os jurados votarem - culpado, é óbvio -  até que um  dos jurados não concorda com a decisão dos companheiros. Afinal, o réu poderia ser inocente.
Daí, é criada uma situação onde cada jurado vai revelando um pouco  de si , seus preconceitos,  idéias e crenças.  E, nós, espectadores, começamos a julgar os jurados e não o fato em si.
 Envolvidos  num  emaranhado de opiniões , saímos do teatro satisfeitos porque  vivenciamos um ótimo espetáculo.!!! 
Recomendo...

domingo, 6 de março de 2011

Cândida, de Bernard Shaw

Por ser uma peça diferenciada, tanto nos diálogos  como no único cenário apresentado, ao invés de fazer só a resenha e crítica de CÂNDIDA  achei merecida a idéia de colocar dados biográficos do autor, no final..
Realizada pelo Núcleo Experimental/Cooperativa Paulista de  Teatro, tem como atores preincipais: Bia Seidl, Sergio Mastropasqua,Thiago Carreira, com tradução e direção de Zé Henrique de Paula.
Um pastor anglicano com tendências socialistas,  faz suas preleções de forma a ganhar o prestígio e a admiração  da sua comunidade. Casado com Cândida, uma bela mulher, ele é surpreendido pela aparição de um jóvem poeta, tímido, que está apaixonado por sua esposa. Entre eles há um duelo de palavras e convicções, que abala a relação do casal.
Um enredo simples, se não  fosse escrito por  Bernard Shaw. Um cenário mórbido , sem atrativos   e, inicialmnte, uma apresentação cansativa, se não tivesse a marca do autor, que pede que assim seja . O desenrolar da trama, com diálogos profundos e inteligentes, as boas interpretações dos atores e um desfecho inesperado, saímos do teatro com a sensação de termos assistido  um ótimo espetáculo.
Recomento!!!

Bernard  Shaw (1856-1950) nasceu em Dublin, na Irlanda,.  Aos vinte anos mudou-se para Londres e tentou a sorte como romancista. Escreveu diversos panfletos para um grupo socialista e se tornou um importante orador, mas seus romances eram todos recusados pelas editoras da época..
Conseguiu emprego como crítico de teatro e música em periódicos londrinos. Logo, seu  estilo inteligente e cheio de sagacidade o levaria a ser considerado uma das figuras mais interessantes da época. Como um apaixonado defensor do  novo teatro de Ibsen, escreveu um ensaio sobre o autor, e decidiu redigir suas próprias peças.
Suas obras, porém , levaram tempo para ganhar os principais palcos da capital inglesa.
O primeiro sucesso ocorreu em 1898, em Nova Iorque, título " O Discipulo do Diabo".
Suas peças vinham sempre acompanhadas de uma descrição detalhada dos personagens e dos jogos de cena, além de prefácios explicativos que, em muitos casos, acabavam  sendo mais longos que o texto em si. Destacam-se: A  Profissão da Senhora Warren, Cândida, César e Cleópatra, Homen  e Super Homen, Major Bárbara, Pigmaleão, que se tornaria ainda mais famosa ao ser transformada no musical de sucesso My Fair Lady
Escreveu, ainda, diversos ensaios.
Em 1926  ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.
O racionalismo radical de Shaw, seu profundo desdém pelas convenções e suas falas cheias de sagacidade e perspicácia colocam seus prsonagens em apaixonantes batalhas de idéias, atacando a hipocrisia da sociedade  vitoriana, e fazem com que sua obra se mantenha viva e pulsante.

marisa martire